
Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.
Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.
Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas
e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, bucando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe.

Esse livro de sonetos do Neruda é maravilhoso! Sempre preferi a poesia masculina, a ode à mulher e tudo aquilo que ela pode representar, tanto no corpóreo quanto no etéreo.
Depois de ler, achei que seria legal publicar aqui no Borboleteio, pra dar um floreio e embelezar a página com esse poema que é um soco na boca do estômago de tão bom.
Na preguiça de digitar o texto, fui ao Google para copiar e assim tornar mais fácil a postagem.
Para minha surpresa - ou, para o susto da minha ingenuidade -, me deparei com uns megaplágios. Acho que não dar créditos aos textos de outrem é trabalho antiliterário e uma baita sacanagem.
Dá uma sacada: no blogue de
poemas de amor, achei o mesmo poema, todo recortado, feminilizado... e nem dá pra dizer que é uma releitura, pois releitura não é cópia, nem recorte, nem transfix... enfim, não acho fino essa coisa de não dizer quem foi que criou algo. Muito pelo contrário, ao omitir essa informação, acaba-se por deixar "noir" a autoria. E se por acaso um dia eu tivesse ouvido falar do tal poema do Neruda, soubesse só o comecinho e digitasse lá no localizador instantâneo a primeira frase que lembrava? Iria copiar um poema de quem?
Realmente, os livros são
bem mais legais =)