23.2.10

Só netos no soneto

SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Antologia Poética)

Como convém à solidão, uma avalanche de impressões nunca antes visitadas vêm à tona. Eis que surge uma espécie de falta de prática com a Liberdade. Sinto como se eu e ela estivéssemos em um romance, flertando uma com a outra. Ela parece não me dar bola, eu corro atrás dela. Ela dá um sorriso, estende a mão. Fico com receio dela não me querer tanto quanto eu a quero.
Tudo agora é mais atenção, é mais sensação, é mais sentido. De volta às pequenas coisas aos valores de simplicidade. A Liberdade tem essas artimanhas. Te conquista devagar; não te pede nada, nem te exige. Te deixa com o coração na mão, na boca, palpitando no peito e as pernas, que antes se julgavam caminhar tesas em uma direção - bambeiam e te fazem querer tudo muito, mesmo sendo em homeopáticas doses.

E como quero.

21.10.09

#prontofalei

Mulher
Se tu parares de tomar as rédeas
[sempre] as decisões
Mulher
dona desse mundo, tua fragilidade inexiste
tua paranoia, artimanha
tua tpm
terapia

15.8.09

Enquete: você é um pastel?

Recebi ontem um e-mail da Seda, oferecendo um novo produto: o programa Seda de reconstrução em 10 dias. Achei muito legal, levando em consideração que quando o assunto é cabelos (e no meu caso, cabelos pintados, secados com secador, pranchados... enfim), todo cuidado é bastante importante.
Se me cadastro em algum site, sempre que vem uma newsletter, eu sempre leio; algumas imediatamente, outras, nem tanto. Depende da propaganda, do interesse e do humor do dia.
Pois acessei o site da Seda que promovia o novo produto. Site bonito, com várias dicas falando como o sono é importante... apresentando a linha de produtos que incluía um leave in sem enxágue para tratamento noturno. "Adorei", pensei. Já imaginou um produto que te ajude a cuidar do cabelo enquanto tu dormes? De última, no mínimo.
Depois de olhar tudo, vi que tinha ali um diagnóstico capilar. Uma série de dez perguntas sobre como são os hábitos que se tratam os cabelos, sobre como é "estar feliz"... Enfim, uma porção de perguntas que só levariam à uma resposta: usar o novo produto. No fim da pesquisa me dei conta: "sou mesmo um pastel!". Era óbvio que o tal diagnóstico capilar iria dizer que meu cabelo era uma droga e que eu precisava urgentemente usar o novo condicionador deles.

Desencantei.

Vou querer testar o produto, mas vai levar mais um tempo. Prefiro usar meu Phytoervas, que é muito gostoso.

Créditos de Imagem: horamadeira.blogs.sapo.pt/2008/01/

2.8.09

Torpedos de Estupidezes II


Poderia trocar a cor do pano do sofá... iria vender, será?

Torpedos de Estupidezes I

Essa é para os pais (e maridos, e noivos, e namorados...) que acham que ganhar cuecas berge e meias soquete pode ser a pior coisa do mundo.

http://www.japantrendshop.com/pee-without-noise-stool-p-558.html

24.6.09

ainda bem que finda


Mas que nada!
Pior que ônibus lotado é parada de ônibus lotada em dia de chuva. Melhor, digo, pior, dia de chuva horizontal, daquelas que não há guarda-chuva que chegue e não há ônibus que chegue também. Dentro do coletivo, no calor das respirações e transpirações... num mix de perfume de quem vai e suor de quem vem, as pessoas vão ficando, além de molhadas, irritadas. Sem contar o trambolho do guarda-chuva, que não serviu pra evitar a água e que, contraditoriamente, dentro do coletivo molha o resto de paciência que alguém possa ter.
Pra quem volta e tem sorte, o banho reconstrutor é o melhor e mais santo remédio. Pra quem vai... muita paciência e um antigripal.

Hoje o dia foi muito pior que uma parada na chuva, um ônibus lotado e um guarda-chuva molhado.
Dias que começam mal e vão seguindo mal só tem uma solução.
Banho, cama e uns gatos fazendo companhia.

Ainda bem que o dia de hoje está findado pra mim.

6.6.09

Diários de busão





















Cruel, impetuoso. Ou só lotado. Vida de busão é assim, ainda mais quando se mora em zona... metropolitana.
Sempre acontece alguma coisa esquisita.
É comemoração com bolo, pastel e guaraná às 6h da madruga. Tem gente que faz tricô; ou amor. Tem gente que costura panos, ou intrigas.
Tem parte roçando onde tu não queria. Tem gente perfumada, gente com alergia. Ou só com alegria, porque tem umas alegrias que nem busão lotado nos tira...
Tem cada dia!

21.5.09


Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, bucando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe.


Esse livro de sonetos do Neruda é maravilhoso! Sempre preferi a poesia masculina, a ode à mulher e tudo aquilo que ela pode representar, tanto no corpóreo quanto no etéreo.
Depois de ler, achei que seria legal publicar aqui no Borboleteio, pra dar um floreio e embelezar a página com esse poema que é um soco na boca do estômago de tão bom.
Na preguiça de digitar o texto, fui ao Google para copiar e assim tornar mais fácil a postagem.
Para minha surpresa - ou, para o susto da minha ingenuidade -, me deparei com uns megaplágios. Acho que não dar créditos aos textos de outrem é trabalho antiliterário e uma baita sacanagem.
Dá uma sacada: no blogue de poemas de amor, achei o mesmo poema, todo recortado, feminilizado... e nem dá pra dizer que é uma releitura, pois releitura não é cópia, nem recorte, nem transfix... enfim, não acho fino essa coisa de não dizer quem foi que criou algo. Muito pelo contrário, ao omitir essa informação, acaba-se por deixar "noir" a autoria. E se por acaso um dia eu tivesse ouvido falar do tal poema do Neruda, soubesse só o comecinho e digitasse lá no localizador instantâneo a primeira frase que lembrava? Iria copiar um poema de quem?

Realmente, os livros são bem mais legais =)